Ando outra vez com aquela sensação estranha de que o Tempo foge de mim, faça eu o que fizer. Gira tão, mas tão rápido o ponteiro dos segundos que nem com anos de treino, idas ao ginásio, peso acima peso abaixo, corridas pelo parque e cigarros por fumar. Nada disto poderia alguma vez deixar-me em forma, de forma a conseguir competir com o Tempo, andar nem que fosse a par e passo. E lá vai ele, a saltitar, feliz e contente. Às vezes é-me provocador ao ponto de assobiar, de mãos atrás das costas. Espera, não vás tão rápido, digo, tentando apanhá-lo pela ponta do casaco. Ignora-me. Logo eu que sou tão dedicada ao relógio. Não saio de casa sem ele, troco-lhe a pilha, dou-lhe vida... Tudo ali certinho. E eu com tanto por viver, tanto por aprender. Será que tenho tempo para tudo? Vale-me o facto de só me lembrar disto uma vez por ano, mais ou menos por esta altura. Agora vou ali fazer o que me apetece. Sim, Tempo, que nisto não me tramas tu. Faço o que me apetece.
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09/12/09
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