14/05/08

Telefone: Trluruu, trluruuu…
Eu: Estou?
Ela: Olha, sobre o relatório, esqueci-me de te dizer…
Eu: (tentando interromper) Desculpe…
Ela: … que tens de acrescentar…
Eu: (tentando interromper) Hmm, desculpe…
Ela: Dá-me um segundo. Sim, estou a falar com ela. (grita para alguém que está por perto) Hã? Ah, está bem.
Ela: Desculpa, estava a dizer que…
Eu: Posso interromper eu agora?
Ela: (silêncio) … Quem fala?
Eu: Pois, é isso mesmo. Queria dizer-lhe que é engano.
Ela: (ri-se) Ah! (ri-se outra vez). Desculpe, não tinha percebido…
Eu: Ainda tentei interromper…
Ela: Pois, mas eu quando ligo à corrente não me calo.
Eu: É verdade.
Ela: Desculpe. Bom dia.
Eu: Bom dia.

Dois minutos depois...

Telefone: Trlurruuu, trluruuu
Eu: (reparando que se trata do mesmo número) Sim?
Ela: Já percebi, enganei-me outra vez. O seu número é o xxxxxx?
Eu: Não...
Ela: As linhas devem estar trocadas.
Eu: É capaz disso. Às vezes acontece.
Ela: Vou desligar e esperar um bocadinho até voltar a ligar.
Eu: É melhor.
Ela: Desculpe. Bom dia!
Eu: Bom dia.

Mais uns minutos depois…

Telefone: Trlurruuu, trluruuu
Eu: (reparando que se trata do mesmo número) Ainda não foi desta…
Ela: … Eu nem acredito… (ri-se) Vou desistir. Desculpe, outra vez. Bom dia.
Eu: Bom dia.

Outros quantos minutos depois…

Telefone: Trluruuu, trluruuu
Eu: (já sem reparar no número no visor) Isto está mesmo complicado…
Ela: Hum?
Eu: Quem fala?
Ela: Sou eu, pá!
Eu: Ah, desculpa.
Ela: (ri-se) Mas afinal o que é que está complicado?
Eu: Olha, esquece. Conta-me.

13/05/08

Entre um pensamento, uma manobra perigosa, uma buzinadela ou uma obscenidade dirigida ao condutor da frente, do lado ou de trás, lá acontece. A mão solta o volante, involuntariamente ou não, e o dedinho infractor faz o trabalho sujo. Eis (mais) um comportamento típico na estrada. E multas para isto não há, mas devia.

09/05/08

Beijos. Beijos sonâmbulos, beijos devoradores, beijos demorados, beijos poéticos, beijos felinos, beijos estonteantes, beijos inquietos. Recuperar o fôlego. Beijos. Beijos atrevidos, beijos salgados, beijos com rasteira, beijos assimétricos, beijos sôfregos, beijos coloridos. Recuperar o fôlego. Beijos. Beijos curiosos, beijos amigáveis, beijos proibidos, beijos aos cachos, beijos sonoros, beijos ardentes, beijos aos saltinhos. Recuperar o fôlego. Beijos. Beijos controladores, beijos alados, beijos pacientes, beijos artísticos, beijos fingidos, beijos teóricos, beijos arrebatadores. Recuperar o fôlego. Beijos. Beijos todo-o-terreno, beijos indomáveis… Beijos. Beijinhos. Beijocas. Beijos em bicos de pés.
此前,为争抢业务,中国电信企业纷纷推出与2008年北京奥运会相关的技术服务。(资料图片) 5月7日,记者从接近中国电信高层人士获悉,电信重组方案或将于5月17日,也就是第二个世界电信日公布。 “已经基本确定了在本月中下旬公布,但仍然存在变数

Às vezes falo e parece que não me entendem. Frustrante, não é?

07/05/08

"Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso."

Eugénio de Andrade

E depois venham cá dizer-me que a beleza das palavras simples não é ainda mais bela...

06/05/08

Hoje sinto-me capaz de fazer concorrência a este bicho. No que toca à lentidão dos movimentos, claro. Jeito para estar pendurada nos galhos tenho pouco.

05/05/08

Aconteceu em plena sapataria, com o empregado especado a mirar-me os pés e os outros dois a moerem-me o juízo. Um comodamente sentado no meu ombro esquerdo, como sempre o exemplo do bom comportamento, o outro pendurado na orelha direita, a balançar de um lado para o outro, como sempre o bom exemplo do mau comportamento. No chão, três caixas semi-abertas, cada uma com um par de sandálias. Pedi o mesmo modelo em amarelo, laranja e violeta. A etiqueta marcava um preço escandaloso, tão escandaloso quanto as sandálias, que, garanto-vos, são escandalosamente giras. O que estava pendurado na orelha chamava-me a atenção para a cor, o outro para o preço. Tentei ignorá-los. "Acho que vai ser o amarelo", pensei. Mas era verdade que o preço continuava a inibir-me. E o empregado continuava a mirar-me os pés e a dizer as barbaridades que era preciso dizer só para me convencer. O que estava sentado no ombro direito, rodopiava a auréola no indicador ao mesmo tempo que me segredava “são excessivamente caras. Quando saíres da porta já te arrependeste”. O outro puxava-me o cabelo e repetia “leva as violeta, leva as violeta, ficam-te melhor e quando voltares já não vais encontrar o teu número.”. E o empregado a insistir “mas ficam-lhe tão bem, leve!”. Saí da sapataria sem sandálias e com os outros dois a provocarem-se. O da auréola cantou vitória, mas o outro sabe que o mais provável é voltar comigo ao local do pecado. Será que ainda encontro o meu número?