Deixou cair a fita amarela aos pés, ajeitou o vestido, os cabelos, perfumou-se, pôs um pé na caixa, depois o outro. Enroscou-se no algodão como se fosse uma boneca de porcelana. Fechou os olhos e concentrou-se. Do lado de fora, a fita amarela ganhou vida, serpenteou e envolveu-se na caixa. Só mais um esforço, pensou ela, só falta dar o laço. E a fita amarela formou um laço e deixou cair as pontas soltas. “Cuidado, frágil”, lia-se.
30/09/09
15/09/09
Já não encontro palavras para deixar aqui como acontecia antes. Podia até dar-se o caso de andar a usá-las todas noutro sítio e de não ter de sobra para isto. Mas não, pensei e acho que não ando por aí a desperdiçar as minhas palavras. E se o stock das ditas é ilimitado, que é, mesmo que as desperdiçasse tinha sempre muitas para escrever... Isto leva-me a crer que devo ter uma fuga algures. Agora até olhei para o chão, não fosse ter deixado um carreirinho de palavras atrás de mim... Vejo ali qualquer coisa, mas acho que são formigas. Oh sou tão doce!
13/08/09
Corpos espalhados pelo chão. Alguns quase entrelaçados, e não é porque as noites estejam frias. Adormeceram assim mesmo, de cansaço, onde estavam. Até aqueles que tinham trocado um beijo mesmo antes de caírem no sono profundo, ficaram de lábios colados. A música ainda toca nas colunas, qualquer coisa que não sei o que é. Suspiro, encontro espaço entre dois desconhecidos no sofá, cotovelos cravados nas pernas, mãos a segurar o queixo. Mesmo ao lado do meu pé direito jaz uma garrafa de gin tónico. Dou-lhe um pontapé ao de leve e vejo-a rebolar. Alguém bate com os nós dos dedos na porta da rua. Está encostada e digo “entre”. Ainda venho a tempo da festa-surpresa?, pergunta ele.
25/06/09
03/06/09
Acho que precisei dar-me descanso de ti e não podes levar a mal. Sabes que sou assim, de vez em quando preciso fazer uma pausa, mesmo sem o Kitkat. Confesso que não cheguei a sentir saudades, até agora. Hoje apeteceu-me mesmo muito escrever o teu nome ali e admito que já nem me lembrava ao certo se os traços que te separam embicosdepés eram ou não underscore... Vá lá, não faças esse ar desolado, no fundo, no fundo volto sempre para ti e isso há-de querer dizer alguma coisa. Hum? Não ouvi, fala um bocadinho mais alto. Ah, que tropelias andei a fazer durante a ausência? As do costume, nada que te (e me) comprometa. Dá cá então um abracinho apertado.
20/04/09
03/04/09
É como se a janela estivesse escancarada. Ela entra, bzz, bzz, bzz, mesmo nos meus ouvidos. Tenho vontade de lhe mandar uma sapa, mas depois penso que é melhor não. Ela sai, dois minutos. Entra, bzz, bzz, bzz. Eu, que tento desesperadamente concentrar-me no que estou a fazer, ponho os dedos em stand by. Respiro fundo, acho até que fecho os olhos com força. Penso em meter os auscultadores e subir o volume ao máximo. Mais três bzz's daqueles e meto mesmo. Quero lá saber que me acusem de ser mal educada. Já não suporto esta tipa a buzinar-me aos ouvidos. Irra! Se eu vos der a morada, vêm buscá-la, por favor?P.S. E até a favoreci no desenho, juro!
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